O impacto crítico da arte

O muro que marca a fronteira e separa fisicamente o território dos Estados Unidos e do México era uma das principais promessas eleitorais do atual presidente americano. Mas ele certamente não previu o tipo de manifesto “silencioso” que seria instalado ali: uma gangorra. Sim, a gangorra que você conhece, presente na infância de todos nós.


A ideia é antiga: em 2009, um professor de arquitetura e uma professora de design idealizaram a instalação, que só foi viabilizada agora, em 2019. E o simbolismo de uma gangorra rosa choque instalada no muro que separa duas nações é gigantesco. A principal reflexão que o arquiteto Ronald Rael quis provocar era a de que tudo que é feito de um lado impacta no outro - algo simbolizado pelo movimento de sobe e desce da gangorra. Mas há muitas outras interpretações possíveis: o encontro de mexicanos e estadunidenses através da diversão, a resistência dos povos que não deixam uma barreira física separá-los, a representação de tudo aquilo que vai além do mundo físico, a inocência das crianças que enxergam a pessoa do “outro lado” como alguém para brincar junto e, também, uma boa dose de deboche que diz “você vai instalar um muro? tudo bem, vamos nos divertir com ele”.


Ainda que a instalação seja simples, afinal, as gangorras (um total de 29) foram instaladas pelo próprio arquiteto com a ajuda de alguns amigos, o impacto dela vai muito além da fronteira. Esta iniciativa nos relembra do impacto crítico da arte: todo o significado e a reflexão que o brinquedo provoca por estar onde está faz com que o mundo inteiro, através de notícias e do compartilhamento orgânico, vire seus olhos para a barreira criada pelos EUA. E os idealizadores não param por aí: Ronald e Virginia, a professora de design envolvida no projeto, pretendem criar outras intervenções para ressignificar o muro nos próximos anos.


O que você acha desse tipo de protesto criativo? Lembra de outras iniciativas parecidas?

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